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Não se meça pela régua de quem não sabe enxergar valor

Existe um tipo de desgaste silencioso que a gente raramente fala, mas todo mundo que constrói algo com consistência já sentiu: o mal-estar de ser questionada por alguém que nem sequer abriu os olhos para ver o que está na sua frente.

Deixa eu te contar o que aconteceu comigo essa semana.

Uma profissional ficou rondando o meu perfil. Entrou em dois posts diferentes e deixou a mesma pergunta: “Alguém já fez esse curso?”

Eu respondi com cuidado, como faço com todas. Falei: olha os meus destaques, tem depoimentos. No feed, nos stories, nas páginas de venda, no meu canal do YouTube tem depoimentos em vídeo de alunas reais. Em dez anos de trabalho, mais de quinze mil profissionais passaram pelos meus cursos, ebooks e mentorias.

Ela não ligou. Foi lá e deixou a mesma pergunta em outro post.

Aí eu, como boa profissional, entrei em contato diretamente. “Oi, qual é a sua dúvida?”

A resposta dela foi assim, sem rodeios: “Eu estava perguntando no seu Instagram se alguém tinha feito seu curso. Como ninguém respondeu, eu achei melhor não arriscar.”

Não arriscar.

Eu fiquei um tempo olhando para essa palavra. O que exatamente ela queria dizer com arriscar? Que eu ia roubar o dinheiro dela? Que o meu curso era ruim porque as minhas alunas não ficam respondendo curiosas aleatórias no meu perfil?

Sabe o que é engraçado — e revelador? Noventa por cento das pessoas que se inscrevem nos meus cursos nunca deixaram um único comentário nos meus posts. As alunas de mentoria então são as mais silenciosas de todas. Porque são profissionais ocupadas, com vida real, que estão estudando de verdade em vez de ficar nas redes.

Tenho uma aluna que eu amo de coração: a Malu. Ela é discreta como poucas. Um dia me mandou uma mensagem que eu guardo até hoje. Ela tinha todos os meus ebooks impressos. Cadernos cheios de anotações das nossas aulas. Tinha acabado de ter bebê, com uma rotina impossível, e mesmo assim estava ali dedicada, presente, crescendo. Ela nunca comentou nada publicamente. E é uma das alunas mais comprometidas que eu já tive.

Engajamento visível não é sinônimo de resultado real. Nunca foi.

O experimento do Rolex de papel

Essa semana, vi algo que me fez pensar muito. Um experimento onde ofereceram um Rolex — um relógio que vale mais de cem mil reais — numa embalagem simples, de papel. As pessoas olharam e disseram: essa embalagem não mostra o valor, eu não pagaria.

Aí colocaram o mesmo relógio numa embalagem sofisticada, com acabamento impecável, caixinha veludo, laço dourado. E as mesmas pessoas disseram: agora sim, eu pagaria.

Eu olhei aquilo e pensei: que gente mais boba.

A embalagem vale talvez cem reais. O relógio vale uma fortuna. E ninguém estava olhando para o relógio, estavam olhando para a caixa.

Não estou dizendo que devemos ser desleixadas. Apresentação importa, branding importa, cuidado importa. Mas o valor não mora na embalagem. E quem só enxerga a embalagem vai perder diamantes a vida inteira achando que está sendo cuidadosa.

Jesus também passou por isso

Existe uma passagem que fica comigo toda vez que me deparo com esse tipo de situação.

Quando Jesus foi à sua cidade natal, Nazaré, e começou a ensinar, as pessoas que o conheciam de toda a vida não conseguiram enxergá-lo. “Não é esse o carpinteiro? O filho de Maria?” E ali, naquela cidade, ele quase não fez milagres. Não porque o poder tinha sumido, mas porque a incredulidade das pessoas criava uma barreira que ele mesmo respeitou.

Os mesmos milagres que encantavam multidões em outras cidades foram ignorados por quem achava que o conhecia de perto.

Isso me diz muito sobre o julgamento humano: familiaridade demais com a origem pode cegar para o destino.

E me diz muito sobre onde eu devo colocar a minha energia. Não naquelas que precisam de convencimento infinito. Não naquelas que fazem perguntas que já foram respondidas e ainda assim chegam com desconfiança. Não naquelas que olham dez anos de trabalho e ainda precisam que uma estranha comente no meu Instagram para acreditar.

O que aconteceu no mesmo dia

Sabe o que aconteceu enquanto essa mulher decidia que não ia “arriscar”?

Recebi um convite de uma marca referência no setor de estética para fazer uma parceria.

No mesmo dia.

Porque quem tem visão reconhece. Quem sabe o que está procurando não precisa de embalagem sofisticada para identificar o que vale. E quem entende do mercado sabe ler consistência, histórico, resultado e não comentário em post.

Energia é uma coisa séria. Intuição também. Eu senti que aquela interação não ia a lugar nenhum antes mesmo de ela responder. E foi exatamente isso.

Os 3 ensinamentos que fico com você hoje

1. Engajamento visível não é prova de valor — resultado sim. As suas melhores alunas, clientes, pacientes, parceiros muitas vezes são os mais silenciosos. Quem está realmente estudando não está comentando em post. Não se meça pelo barulho de quem não comprou.

2. Você não é responsável por convencer quem não quer ver. Existe uma diferença entre uma dúvida genuína e uma desconfiança disfarçada de pergunta. A primeira merece atenção. A segunda merece respeito e distância. Responde com cuidado, oferece o que tem, e segue. Não é sobre fechar todo mundo. É sobre encontrar quem já está pronto.

3. Quem enxerga diamante não precisa da embalagem. Continue construindo. Continue sendo consistente. Os que têm visão vão te encontrar e vão reconhecer o valor sem precisar de prova social na forma de comentários de estranhas. Parcerias reais, alunas reais, resultados reais chegam para quem tem substância, não só para quem tem vitrine.

Aquele mal-estar que eu senti? Ele passou. E ficou no lugar dele a certeza de que minha energia vale mais do que ser gasta tentando convencer quem não quer ser convencido.

Você também vale mais do que isso.

Se esse episódio te tocou, compartilha com alguém que também precisa ouvir. E se você já passou por algo parecido, me conta nos comentários — quero saber como você lidou.

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Esteticista, Cosmetóloga e Escritora. Graduada e Técnica na área da estética com capacitação em saúde pela FMUSP (Faculdade de Medicina da USP). Autora de mais de 30 títulos voltados ao aprimoramento profissional e fundadora do Estética Club Academy, onde atua como Mentora de especialistas que buscam a elite técnica e estratégica do mercado.

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