Acne ou rosácea? Você sabe avaliar corretamente?

Acne e rosácea podem confundir, principalmente quando a pele apresenta vermelhidão, sensibilidade e lesões inflamatórias. E é justamente nessa hora que uma avaliação mal feita pode mudar completamente o rumo do atendimento.
A rosácea é uma condição inflamatória que costuma apresentar maior reatividade vascular, sensibilidade, vermelhidão persistente e, em alguns casos, pápulas e pústulas. Já a acne tem outras características e está relacionada à unidade pilossebácea, envolvendo aumento da oleosidade, alterações na queratinização, inflamação e participação da Cutibacterium acnes.
Nem sempre a diferença é tão óbvia
Na prática, algumas peles não chegam com um quadro tão fácil de identificar.
A paciente pode ter lesões que lembram acne, mas também apresentar uma sensibilidade muito maior, vermelhidão constante, ardência e reatividade a produtos que normalmente seriam bem tolerados em uma pele acneica.
Por isso, a avaliação precisa ir além de olhar para a lesão isoladamente. É importante observar onde essas lesões aparecem, como essa pele se comporta, se existe vermelhidão persistente, ardência, sensibilidade, histórico de piora com determinados cosméticos e o que a paciente relata durante a anamnese.
A pele precisa ser avaliada pelo conjunto dos sinais, e não apenas pela aparência de uma lesão.
Quando a avaliação está errada, o protocolo também pode estar
Quando você identifica uma pele com rosácea e conduz o atendimento como se fosse acne, pode acabar usando recursos e produtos que aumentam ainda mais a sensibilidade.
Também pode acontecer o contrário. Uma pele acneica pode acabar recebendo uma abordagem muito limitada porque a profissional ficou com receio de trabalhar determinados recursos sem ter certeza do que está observando.
É por isso que eu insisto tanto na avaliação antes de montar qualquer protocolo.
O produto pode ser excelente, o aparelho pode ser bom e a técnica pode estar correta, mas, se você não entendeu a pele que está na sua frente, todo o restante do atendimento fica comprometido.
O que observar durante a avaliação
A anamnese ajuda muito nesse processo.
Vale observar se a paciente relata ardência, calor, piora com determinados cosméticos, exposição ao sol, alimentos, temperatura, estresse ou outros fatores que deixam a pele mais reativa.
Também é importante analisar a distribuição das lesões e a presença de vermelhidão persistente.
Na acne, você pode encontrar comedões, pápulas, pústulas e outras lesões relacionadas à unidade pilossebácea. Na rosácea, a vermelhidão e a reatividade costumam ter um peso muito maior na avaliação.
- Quanto mais detalhes você observa, menos depende de suposição na hora de montar o protocolo. No vídeo: “Você está AVALIANDO ERRADO – Descubra a diferença entre Acne e Rosacea” você vai entender mais sobre isso. Assista abaixo:
Avaliar bem também é saber quando não tratar
Uma boa avaliação não serve apenas para escolher cosméticos e aparelhos.
Ela também ajuda você a perceber quando aquela condição precisa de avaliação médica antes de qualquer conduta estética.
Existem situações em que insistir em um protocolo pode piorar a pele ou atrasar o diagnóstico de uma condição que precisa de acompanhamento dermatológico.
Essa segurança vem com estudo e prática. Quanto mais você aprende a reconhecer os sinais, mais confiança tem para conduzir o atendimento e também para encaminhar quando necessário.
Cada pele precisa ser entendida antes de ser tratada
Quando você começa a diferenciar melhor acne, rosácea e outros estados inflamatórios da pele, o atendimento muda.
Você passa a escolher os recursos com mais cuidado, evita estímulos desnecessários e consegue acompanhar melhor a resposta da pele ao longo das sessões.
Avaliar corretamente é uma das etapas mais importantes do atendimento, principalmente quando você trabalha com peles acneicas, sensibilizadas e reativas.
Antes de pensar no protocolo, olhe para a pele com atenção. É ali que começa a decisão mais importante do atendimento.
Esteticista, Cosmetóloga e Escritora. Graduada e Técnica na área da estética com capacitação em saúde pela FMUSP (Faculdade de Medicina da USP). Autora de mais de 30 títulos voltados ao aprimoramento profissional e fundadora do Estética Club Academy, onde atua como Mentora de especialistas que buscam a elite técnica e estratégica do mercado.
