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Peptídeos no skincare: a verdade que ninguém te conta sobre o novo hype da estética

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De repente os peptídeos estão em todo lugar. Você abre o Instagram e aparece um sérum com peptídeos, uma fórmula com vários tipos juntos ou alguém apresentando um deles como a grande novidade do skincare.

Só que essa história começou há muito tempo.

Os peptídeos são estudados há mais de um século. No começo dos anos 1900, Emil Fischer já trabalhava com a síntese dessas pequenas cadeias formadas por aminoácidos e ajudava a construir o conhecimento que temos hoje sobre essas moléculas. Mais tarde, os peptídeos começaram a ser estudados para várias finalidades e chegaram também à cosmetologia. (Eu mesma já uso desde 2010 e mais para frente explico).

Afinal, o que são peptídeos?

Vou explicar de um jeito bem simples porque esse assunto pode ficar complicado muito rápido e deixar a gente muito confusa.

Peptídeos são pequenas sequências de aminoácidos. Se você lembra das aulas de bioquímica da faculdade de estética, os aminoácidos são aquelas pequenas unidades que se ligam para formar proteínas. Os peptídeos são justamente cadeias menores formadas por esses aminoácidos

Por isso, quando uma embalagem diz apenas “com peptídeos”, eu ainda quero saber qual peptídeo está ali.

É como dizer que um cosmético tem ácido.

Tá, mas qual ácido?

Com os peptídeos acontece a mesma coisa. Existem moléculas diferentes, desenvolvidas para propostas diferentes e com níveis de evidência também diferentes.

E aí começa uma coisa que eu sempre falo para minhas alunas: não dá para escolher cosmético apenas porque está na moda.

Argireline: um velho conhecido meu

O Argireline é o nome comercial pelo qual o Acetyl Hexapeptide-8 ficou conhecido na cosmetologia. Ele começou a ganhar atenção no início dos anos 2000 e ficou muito conhecido em produtos voltados para linhas de expressão.

Eu uso esse ativo desde a década de 2010 e tive resultados muito interessantes com ele.
Inclusive, fiz um acompanhamento de skincare online com um paciente em Portugal. Ele tinha linhas bem aparentes na testa e não queria fazer aplicação de toxina botulínica, então indiquei um excelente sérum com esse ativo, além de outros cuidados e tivemos um resultado maravilhoso.

Mas atenção para uma coisa importante: Argireline não é botox em sérum.

Esse apelido “botox-like” ficou muito popular, mas pode confundir bastante a paciente. A toxina botulínica é aplicada por via injetável e age diretamente na transmissão neuromuscular. O Argireline está dentro de um cosmético que precisa atravessar a barreira da pele, e essa penetração é justamente uma das limitações estudadas desse peptídeo.

Então não dá para pegar qualquer sérum com “Argireline” no rótulo, passar na testa e esperar o mesmo efeito de uma aplicação de toxina botulínica, nem esperar o mesmo resultado de qualquer produto que contenha Argireline. A indicação correta, avaliação, associações e acompanhamento é fundamental.

Matrixyl também não é novidade

Outro peptídeo que voltou a aparecer bastante é o Matrixyl, associado ao Palmitoyl Pentapeptide-4.

Ele já está na cosmetologia há muitos anos e existem estudos avaliando seu uso em produtos para linhas finas e sinais do envelhecimento da pele.

Esse é um ótimo exemplo de como as tendências funcionam.

O ativo já existe, já foi usado por bastante tempo e, de repente, volta a ganhar destaque porque as marcas começam a falar novamente sobre aquela categoria.

Para quem está conhecendo agora, parece lançamento, mas para quem acompanha cosmetologia há alguns anos, é um reencontro.

E eu acho ótimo que bons ativos voltem a ser estudados e apareçam em novas formulações. O cuidado está em não transformar esse retorno em uma história de “descoberta revolucionária” e sair se arvorando desesperada comprando tudo sem saber se isso realmente faz sentido para as suas pacientes.

E o GHK-Cu?

O GHK-Cu, conhecido como peptídeo de cobre, é provavelmente um dos nomes que mais cresceram junto com essa nova febre.

Ele é formado por um peptídeo ligado ao cobre e tem sido bastante estudado por sua relação com processos de reparação da pele e com componentes da matriz dérmica.

É um ativo interessante? Sim.

Eu sairia comprando qualquer produto porque está escrito “Copper Peptide” na embalagem? Não.

Boa parte do entusiasmo em torno do GHK-Cu ainda vem de pesquisas laboratoriais e pré-clínicas. Existem dados interessantes, mas os estudos clínicos em humanos ainda são mais limitados do que algumas propagandas fazem parecer.

E aqui entra uma coisa que é muito importante na cosmetologia: um ativo mostrar um mecanismo interessante em laboratório não significa que qualquer produto com aquele ingrediente vai entregar exatamente aquilo na pele.

Agora vem a parte que eu acho realmente preocupante

Os peptídeos também começaram a aparecer em produtos injetáveis vendidos pela internet, e algumas pessoas estão comprando esses frascos para aplicar em si mesmas.

A Anvisa já fez um alerta sobre esse tipo de produto e reforçou uma informação importante: não existe cosmético injetável.

Então cuidado para não confundir um sérum com peptídeos com um produto vendido para injeção. São coisas completamente diferentes.

Quando uma substância é injetada, ela entra diretamente no organismo. Por isso, é muito importante saber a origem do produto e ter certeza de que ele é seguro.

É muito preocupante esse tipo de conteúdo virando tutorial nas redes sociais. A pessoa vê alguém se aplicando, compra pela internet e tenta fazer igual em casa.

Não faça isso.

Peptídeo no skincare vale a pena?

Eu gosto muito dessa classe de ativos e já trabalho com peptídeos há bastante tempo.

Meu cuidado é não escolher o produto apenas porque a palavra “peptídeo” está estampada na embalagem.

Eu quero saber qual molécula está ali e o que já foi estudado sobre ela. Também quero entender se a proposta daquela fórmula combina com o que eu quero tratar.

No caso do Argireline, por exemplo, eu tenho uma experiência pessoal muito boa e acompanho esse ativo há muitos anos.

Matrixyl também tem uma história longa na cosmetologia.

GHK-Cu está muito em alta e eu acho interessante acompanhar, mas sem repetir promessas que os estudos clínicos ainda não sustentam.

É assim que eu prefiro trabalhar. Como eu sempre falo: Você não precisa seguir todas as tendências do mercado. Precisa estudar e se aprofundar para poder levar resultados cada vez mais personalizados para suas pacientes.

Tem coisa boa surgindo e tem ativo antigo voltando com força. O problema aparece quando o marketing corre mais rápido do que a informação.

Se você é profissional da estética, aproveite essa nova onda dos peptídeos para estudar.

E se você é paciente e chegou até este artigo porque viu algum peptídeo viralizando, principalmente aqueles vendidos para autoaplicação injetável, tenha muito cuidado antes de comprar.

No skincare existem peptídeos que podem ser muito interessantes.

Injetável comprado na internet já é outra história.

Referências

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BJERKE, Donald L. et al. A framework for the safety evaluation of peptides in cosmetics. Current Research in Toxicology, v. 10, 100291, 2026. DOI: 10.1016/j.crtox.2026.100291. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/41953401/. Acesso em: 16 out. 2026.

BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Checamos: peptídeos que prometem milagres não estão registrados na Anvisa. Brasília, DF: Anvisa, 2026. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/noticias-anvisa/2026/checamos-peptideos-que-prometem-milagres-nao-estao-registrados-na-anvisa. Acesso em: 16 out. 2026.

MORTAZAVI, Seyedeh Maryam; MOHAMMADI VADOUD, Seyyed Ali; MOGHIMI, Hamid Reza. Topically applied GHK as an anti-wrinkle peptide: advantages, problems and prospective. BioImpacts, v. 15, 30071, 2025. DOI: 10.34172/bi.30071. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/39963574/. Acesso em: 16 out. 2026.

ROBINSON, Lawrence R. et al. Topical palmitoyl pentapeptide provides improvement in photoaged human facial skin. International Journal of Cosmetic Science, v. 27, n. 3, p. 155-160, 2005. DOI: 10.1111/j.1467-2494.2005.00261.x. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/18492182/. Acesso em: 16 out. 2026.

UNITED STATES. Food and Drug Administration. Certain bulk drug substances for use in compounding that may present significant safety risks. Silver Spring: FDA, 2026. Disponível em: https://www.fda.gov/drugs/human-drug-compounding/certain-bulk-drug-substances-use-compounding-may-present-significant-safety-risks. Acesso em: 16 out. 2026.

ZDRADA-NOWAK, Julita; SURGIEL-GEMZA, Agnieszka; SZATKOWSKA, Magdalena. Acetyl Hexapeptide-8 in cosmeceuticals: a review of skin permeability and efficacy. International Journal of Molecular Sciences, v. 26, n. 12, art. 5722, 2025. DOI: 10.3390/ijms26125722. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/40565185/. Acesso em: 16 out. 2026.

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Esteticista, Cosmetóloga e Escritora. Graduada e Técnica na área da estética com capacitação em saúde pela FMUSP (Faculdade de Medicina da USP). Autora de mais de 30 títulos voltados ao aprimoramento profissional e fundadora do Estética Club Academy, onde atua como Mentora de especialistas que buscam a elite técnica e estratégica do mercado.

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