Melasma: o que realmente ajuda a controlar as manchas

Durante muito tempo o melasma foi explicado quase como um problema isolado de produção de melanina. Hoje sabemos que ele é bem mais complexo. É uma alteração crônica e recorrente, geralmente localizada em áreas do rosto que recebem luz, e aparece com muito mais frequência em mulheres. Hormônios têm participação importante e por isso ele pode surgir ou piorar durante a gravidez ou com algumas alterações hormonais, mas a exposição à radiação continua sendo um dos principais fatores envolvidos.
Também ficou mais claro nos últimos anos que a pele com melasma apresenta outras alterações. Estudos descrevem inflamação discreta na região das manchas, alterações vasculares e mudanças na barreira cutânea. O estresse oxidativo também participa desse processo. Por isso, hoje é difícil olhar para o melasma apenas como “excesso de pigmento”.
O que acontece na pele com melasma?
Os melanócitos são as células responsáveis pela produção de melanina, o pigmento que ajuda a determinar a cor da nossa pele. No melasma, essas células recebem estímulos que aumentam a produção de pigmento, principalmente por causa da radiação e da influência hormonal.
Eu gosto de explicar de uma forma simples: imagine uma torneira que começa a liberar mais água do que deveria. No melasma, o melanócito continua funcionando, mas passa a receber sinais que favorecem uma produção maior de melanina naquela região.
Hoje também sabemos que existe participação da derme nesse processo. Alterações na membrana basal, nos vasos e em células presentes ao redor do melanócito podem ajudar a manter essa pigmentação ativa. É uma das razões pelas quais algumas manchas são tão resistentes e podem reaparecer depois de clarear.
O tratamento precisa continuar mesmo depois que a mancha clareia
Essa talvez seja uma das coisas mais importantes para explicar para a cliente desde o começo.
O melasma costuma melhorar com tratamento, mas tem uma tendência grande a voltar quando os estímulos continuam presentes. Por isso, o objetivo é clarear as manchas e manter esse resultado pelo maior tempo possível, sabendo que o cuidado precisa continuar. A literatura atual trata o melasma como uma condição crônica e recorrente.
A fotoproteção tem um papel central nesse controle. Hoje sabemos também que não é apenas a radiação ultravioleta que merece atenção, porque a luz visível pode participar da pigmentação, especialmente em fototipos mais altos.
No skincare, existem ativos que podem ajudar no clareamento e na manutenção, mas a escolha precisa considerar como aquela pele está. Ácido kójico, por exemplo, aparece entre os ativos com evidência para melasma. A vitamina C pode ser interessante como antioxidante e como apoio dentro de uma rotina bem montada, embora a evidência para ela isoladamente seja mais limitada do que para alguns tratamentos já estabelecidos.
Cuidado com o excesso de ácidos
Uma coisa que eu vejo muito é a tentativa de clarear o melasma rapidamente usando cada vez mais produtos esfoliantes.
Esse caminho pode acabar piorando a tolerância da pele. Se a cliente começa a apresentar ardência frequente ou descamação persistente, continuar aumentando a agressão pode favorecer inflamação e hiperpigmentação.
Hoje sabemos que a própria barreira cutânea pode estar alterada nas áreas de melasma, então manter a pele confortável durante o tratamento merece atenção.
Em cabine, eu prefiro pensar no tratamento de acordo com o estado da pele naquele momento. Se ela está sensibilizada, talvez seja necessário cuidar primeiro dessa sensibilização. Quando está estável, podem entrar protocolos cosméticos clareadores dentro do que é permitido para a atuação da profissional.

E o emocional?
O melasma pode mexer bastante com a autoestima, principalmente porque aparece em uma região muito visível. Estudos sobre distúrbios de pigmentação mostram impacto psicológico e na qualidade de vida, então vale ter cuidado com a forma como falamos sobre essas manchas durante o atendimento.
Eu gosto de oferecer um atendimento acolhedor e já usei recursos como aroma, música e cromoterapia para deixar esse momento mais agradável para a cliente. Vejo esses recursos como parte da experiência e do bem-estar durante a sessão, e não como tratamento do melasma.
Desconfie das promessas de acabar com o melasma
De tempos em tempos aparece um produto ou uma técnica prometendo eliminar o melasma definitivamente, e isso precisa ser visto com cuidado.
Mesmo quando um tratamento clareia muito bem a mancha, existe possibilidade de recorrência. Estudos e consensos recentes continuam destacando essa dificuldade de manutenção a longo prazo.
Por isso, eu prefiro ser clara com a cliente desde o início. O melasma pode clarear bastante e pode ficar controlado por longos períodos, mas ela vai precisar continuar cuidando da pele e principalmente da fotoproteção.
Quando a cliente entende isso, ela também deixa de entrar naquele ciclo de usar alguma coisa até a mancha melhorar, abandonar tudo e procurar um novo tratamento quando ela volta.
O acompanhamento fica muito mais realista quando o objetivo é manter o melasma controlado e preservar a saúde da pele durante esse processo.
Esteticista, Cosmetóloga e Escritora. Graduada e Técnica na área da estética com capacitação em saúde pela FMUSP (Faculdade de Medicina da USP). Autora de mais de 30 títulos voltados ao aprimoramento profissional e fundadora do Estética Club Academy, onde atua como Mentora de especialistas que buscam a elite técnica e estratégica do mercado.













