Cuidado ao usar alta frequência em uma pele que não está íntegra

A alta frequência é um dos recursos mais comuns dentro da limpeza de pele. A maioria das profissionais aprende a ligar o aparelho, escolher uma potência confortável, encostar o eletrodo na pele e aplicar depois da extração. Muitas vezes, a explicação termina aí: ele é bactericida, cicatrizante e deve ser usado no final do procedimento.
Só que a alta frequência vai muito além disso. Existem diferentes formas de aplicação, eletrodos com funções distintas, indicações, contraindicações e cuidados que mudam de acordo com a condição da pele. E um desses cuidados aparece justamente depois da extração, quando você encontra áreas com sangramento ativo, secreção ou lesões que ainda não estão íntegras.
Sangramento ativo precisa ser observado antes da aplicação

É comum ouvir que, como a alta frequência é usada para auxiliar na cicatrização, poderia ser aplicada diretamente sobre uma área que acabou de sangrar.
Eu teria bastante cuidado com esse raciocínio.
Depois de uma extração, algumas regiões podem apresentar pequenos pontos de sangramento. Antes de simplesmente aproximar ou encostar o eletrodo, você precisa observar a condição daquela pele e controlar esse sangramento.
A corrente de alta frequência pode promover vasodilatação local. Em uma área que ainda está sangrando, isso pode dificultar o controle daquele ponto ou até favorecer a continuidade do sangramento.
Alta frequência não deve ser usada como se o eletrodo fosse um “bastão mágico” que pode ser passado sobre qualquer lesão só porque aprendemos que ele tem ação cicatrizante e bactericida.
Primeiro você cuida daquela área. Depois avalia se já existem condições para utilizar o recurso com segurança. Mais para frente vou explicar melhor sobre isso.
Existe também uma questão importante de biossegurança
Esse é um ponto que me preocupava muito no início da minha carreira.
Eu trabalhei em um instituto onde várias profissionais utilizavam os mesmos aparelhos e eletrodos. Eu sempre tinha o cuidado de higienizar tudo antes e depois do atendimento, e algumas colegas até riam porque achavam que aquilo era exagero.
Às vezes eu precisava pegar um eletrodo usado por outra profissional e encontrava aquela “cebolinha” com uma crosta grudada. O mesmo eletrodo era usado de cliente em cliente praticamente sem limpeza porque existia a crença de que a alta frequência se esterilizava sozinha.
Isso não é uma conduta de biossegurança.
Mesmo existindo formação de ozônio durante determinadas formas de aplicação e mesmo considerando sua ação antimicrobiana, isso não significa que você possa usar um eletrodo contaminado com resíduos orgânicos em várias clientes sem realizar a higienização adequada.
Quando existe contato com sangue, linfa ou secreções, o cuidado precisa ser ainda maior porque aumenta o risco de contaminação cruzada. Ele passa a ser um artigo crítico e necessita de desinfecção de alto nível e como ele não vai em autoclave, você pode acabar tendo que jogar seu eletrodo fora ou tendo que fazer esterilização química. Por isso, é preciso um cuidado na hora da aplicação.
O eletrodo precisa ser tratado como um instrumento de atendimento. Ele precisa estar limpo e preparado para cada cliente.
A presença de ozônio não substitui uma rotina correta de limpeza e desinfecção.
E a gaze? Ela impede a ação da alta frequência?
Outro ponto que gera muita dúvida é o uso da gaze durante a aplicação.
Eu gosto do uso da gaze porque ela ajuda a criar uma barreira mais higiênica entre o eletrodo e a pele, principalmente depois da extração. E ela não precisa impedir a ação do equipamento quando utilizada corretamente.
Na prática, você consegue realizar a aplicação mantendo o eletrodo protegido e evitando aquele contato direto com resíduos que podem estar presentes na superfície da pele.
Isso também facilita bastante a rotina de biossegurança, principalmente em procedimentos de limpeza de pele em que você acabou de trabalhar com extrações.

Primeiro controle o sangramento
Quando existe um ponto de sangramento ativo, minha orientação é sempre controlar esse sangramento antes de partir para a alta frequência.
Na aula de Limpeza de Pele por Sucção com Extração de Milium, eu mostro justamente como conduzo essas situações na prática, porque durante a extração de milium é possível ter pequenos pontos de sangramento e você precisa saber o que fazer antes de continuar o protocolo.
Depois que aquela região está controlada, você consegue avaliar com muito mais segurança como seguir o atendimento e se a alta frequência será utilizada naquele momento.
Essa atenção parece pequena, mas evita muita conduta de risco.
Alta frequência exige mais conhecimento do que parece
Talvez esse seja um dos recursos mais subestimados dentro da estética porque ele parece simples de usar.
Você liga o aparelho, coloca um eletrodo e pronto.
Só que, quando começa a estudar com mais profundidade, percebe que existem diferenças entre fluxação e fulguração, que o ozônio não é produzido da mesma maneira em todas as aplicações, que cada eletrodo tem características próprias e que a condição da pele interfere diretamente na forma como você vai trabalhar.
Também existe toda a parte de segurança, higienização e biossegurança que não pode ser ignorada.
Quanto mais você entende o recurso, menos depende daquela sequência automática de “terminou a extração, passa alta frequência”.
Você começa a observar a pele, entender o objetivo daquela aplicação e escolher a técnica com mais consciência.
É isso que ensino no Alta Frequência Avançada
No curso Alta Frequência Avançada, eu aprofundo justamente esses pontos que muitas vezes passam rapidamente nos cursos básicos: formas de aplicação, eletrodos, indicações, contraindicações, ozônio, biossegurança e cuidados durante o uso.
A ideia é que você consiga usar a alta frequência sabendo o que está fazendo e por que está fazendo, principalmente nas situações em que a pele exige um pouco mais de atenção.
Porque saber ligar o aparelho é a parte mais fácil. O que realmente faz diferença no atendimento é entender quando usar, como usar e quando é melhor esperar. E se quiser ter acesso a aulas práticas de limpeza de pele para aprofundar ainda mais seu conhecimento, seja membro do Estética Club Academy.
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Esteticista, Cosmetóloga e Escritora. Graduada e Técnica na área da estética com capacitação em saúde pela FMUSP (Faculdade de Medicina da USP). Autora de mais de 30 títulos voltados ao aprimoramento profissional e fundadora do Estética Club Academy, onde atua como Mentora de especialistas que buscam a elite técnica e estratégica do mercado.
