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O erro com a trietanolamina que mudou minha forma de fazer limpeza de pele

Quando comecei a empreender na estética, eu sabia que precisava encantar minhas clientes. Eu estava recomeçando do zero, com produtos novos, um espaço novo e praticamente reconstruindo minha agenda. Mesmo sem ter muita lucratividade no início, fazia questão de investir em produtos que eu considerava de qualidade, porque queria que a cliente percebesse cuidado em cada detalhe do atendimento.

Foi nessa fase que comprei um emoliente caro, acreditando que ele facilitaria a extração em praticamente qualquer pele. Em algumas clientes, realmente funcionava muito bem. Em outras, porém, a história era completamente diferente. Eu seguia todas as etapas, respeitava o tempo de aplicação e, quando chegava a hora da extração, os comedões simplesmente não saíam com facilidade.

Aquilo me deixava muito frustrada, principalmente porque eu ainda estava construindo minha confiança profissional. Ver o tempo passando, a extração ficando cada vez mais difícil e a cliente começando a sentir desconforto fazia com que eu pensasse que alguma coisa estava errada no meu atendimento.

Achei que o problema fosse o produto

Como eu acreditava que o emoliente não era bom o suficiente, comecei a procurar outro.

Encontrei um produto que prometia resultados excelentes, comprei e comecei a testar. E aconteceu exatamente a mesma coisa. Em algumas peles, ele funcionava muito bem. Em outras, parecia deixar a pele ainda mais seca e difícil de trabalhar.

Mesmo assim, continuei procurando.

Naquela época, eu ainda acreditava que existia um produto que resolveria aquela etapa para mim. Então fui usando parte do pequeno lucro dos atendimentos para comprar mais um emoliente, depois outro, sempre esperando encontrar aquele que finalmente facilitaria todas as minhas extrações.

Eu ainda não tinha entendido que o problema não estava apenas no produto. Eu precisava compreender o que havia dentro dele e como aquela fórmula se comportava em cada pele.

O atendimento que me fez parar e prestar atenção

Foi nessa época que atendi um adolescente com muitos comedões. A extração foi extremamente difícil e eu passei bastante tempo tentando fazer o melhor possível.

Eu ainda não sabia valorizar o meu tempo como sei hoje. Chegava a ficar quase três horas em uma limpeza de pele sem cobrar nada a mais por isso, porque achava que precisava terminar tudo e entregar o máximo para aquela pessoa.

No dia seguinte, a mãe desse cliente entrou em contato dizendo que a pele estava muito ressecada e descamando.

Aquilo me assustou.

Eu não tinha feito peeling e não esperava uma reação daquele tipo, então pedi que ele voltasse para eu avaliar a pele. Quando ele chegou, fiquei realmente impressionada. A pele estava muito seca e soltando pequenas placas.

Naquele primeiro momento, achei que poderia ser alguma característica específica da pele dele. Fiz um atendimento para ajudar na recuperação e a pele voltou ao normal.

Só que, pouco tempo depois, outras clientes começaram a relatar ressecamento e descamação depois da limpeza de pele, especialmente aquelas que eu ficava muito tempo na extração.

Foi aí que percebi que precisava investigar melhor o que eu estava usando.

Comecei a olhar para a fórmula, e não apenas para o nome do produto

Passei a estudar com mais atenção os ingredientes dos emolientes que tinha comprado e a função de cada um deles.

E foi aí que descobri uma coisa que me incomodou bastante: eu havia gastado dinheiro comprando os produtos de marcas diferentes que tinham uma proposta de formulação muito parecida. Mudava a marca, mudava a embalagem, mudava a promessa, mas o ativo que sustentava aquela ação continuava sendo praticamente o mesmo.

Um dos ingredientes que aparecia com frequência era a trietanolamina.

Durante muito tempo, eu tinha aprendido a enxergá-la simplesmente como um “emoliente”. Só que, quando comecei a estudar sua função dentro das formulações, percebi que a história era bem mais complexa.

Foi aí que comecei a entender a trietanolamina

A trietanolamina é um agente alcalinizante e pode ser utilizada para elevar o pH da formulação. Em produtos usados antes da extração, essa alcalinização também pode favorecer uma ação saponificante e desengordurante sobre a oleosidade.

Foi nesse ponto que comecei a perceber por que algumas peles reagiam tão mal.

Eu deixava o produto agir durante bastante tempo porque acreditava que precisava “amolecer” mais a pele para facilitar a extração. Em uma pele mais oleosa e resistente, isso poderia funcionar melhor. Em uma pele mais seca, desidratada ou sensível, aquela mesma estratégia podia ser agressiva demais.

Foi estudando a formulação que eu entendi por que o mesmo produto parecia ótimo em uma cliente e péssimo em outra.

E isso também me fez repensar o próprio conceito de emoliência.

Emoliência, em essência, está relacionada a amolecer e hidratar a pele, deixando-a mais confortável e flexível. Uma ação fortemente alcalinizante e desengordurante pode ser útil dentro de uma determinada proposta, mas não deve ser confundida com hidratação ou maciez da pele.

O problema de repetir a mesma emoliência em todas as peles

Quando você aprende um protocolo pronto, é muito fácil começar a repetir aquela sequência em todas as clientes.

Você usa o mesmo produto, deixa o mesmo tempo e espera uma resposta parecida.

Só que as peles não chegam iguais.

Uma cliente pode ter uma pele muito oleosa, espessa e resistente. Outra pode estar desidratada, sensibilizada, madura ou fazendo uso de cosméticos em casa que já alteraram bastante a barreira cutânea.

Usar a mesma estratégia de emoliência para todas elas pode trazer respostas muito diferentes.

Foi a partir dessa experiência que comecei a prestar mais atenção ao estado da pele antes de escolher como faria a preparação para a extração.

Também aprendi a confiar menos na promessa e estudar mais a função do ingrediente

Durante muito tempo, eu confiei demais no que era apresentado nos treinamentos de marcas, nas descrições dos produtos e no que eu tinha aprendido nos cursos formais.

Hoje, depois de muitos anos trabalhando com estética, eu vejo que a profissional precisa ir além disso.

Não significa que os treinamentos das empresas não sejam úteis. Muitos são excelentes. Mas existe uma diferença entre conhecer a forma de usar um produto e compreender por que ele funciona, para quem funciona melhor e quais limitações aquela formulação pode ter.

Quando você começa a estudar os ingredientes, fica muito mais difícil ser convencida apenas por uma promessa de embalagem.

Você começa a olhar a composição, comparar produtos e perceber quando duas opções diferentes entregam praticamente a mesma proposta.

E isso também evita gastar dinheiro sem necessidade.

A emoliência começou a mudar quando eu parei de procurar um produto perfeito

Depois dessa fase, passei a buscar alternativas para diferentes estados de pele e a observar muito mais a resposta de cada cliente.

Algumas peles precisam de uma preparação mais hidratante. Outras toleram melhor uma estratégia alcalinizante. Em algumas situações, é necessário associar recursos ou mudar a forma de conduzir a emoliência ao longo do atendimento.

Foi assim que comecei a compreender que personalizar a emoliência faz tanta diferença quanto personalizar qualquer outra etapa da limpeza de pele.

Você não escolhe o mesmo sabonete, o mesmo sérum e a mesma máscara para todas as clientes. Então não existe motivo para acreditar que um único emoliente será ideal para todas elas.

Foi dessa experiência que nasceu o Emoliência Perfeita

Grande parte do que ensino hoje sobre emoliência nasceu dessas dificuldades que vivi na prática.

Eu perdi dinheiro comprando produtos, tive extrações difíceis, precisei lidar com peles sensibilizadas e demorei para entender por que aquilo estava acontecendo. Quando comecei a estudar melhor os ativos, as formulações e os diferentes estados cutâneos, muitas coisas começaram a ficar mais claras.

Foi por isso que organizei esse conhecimento no Emoliência Perfeita.

No material, eu mostro como observar o estado da pele, entender melhor os principais ativos utilizados nessa etapa e adaptar a emoliência de acordo com a necessidade de cada cliente. Também apresento diferentes possibilidades de produtos e recursos que podem ser associados durante a preparação da pele.

Meu objetivo é que você não precise gastar anos e dinheiro repetindo os mesmos erros que eu cometi para descobrir o que funciona na prática.

Mesmo com todo esse conteúdo organizado, o estudo e a prática continuam sendo fundamentais. Você precisa observar as peles que atende, acompanhar como elas respondem e aprender a adaptar aquilo que conhece.

Não deixe de estudar as aulas e referências, mas acima de tudo, de praticar. Isso fará toda a diferença na sua carreira.

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Esteticista, Cosmetóloga e Escritora. Graduada e Técnica na área da estética com capacitação em saúde pela FMUSP (Faculdade de Medicina da USP). Autora de mais de 30 títulos voltados ao aprimoramento profissional e fundadora do Estética Club Academy, onde atua como Mentora de especialistas que buscam a elite técnica e estratégica do mercado.

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